Airão
S. João é a freguesia mais ocidental do concelho
de Guimarães, confrontando com Braga e Famalicão.
Marcada pela sua paisagem de extensos campos e pelo terreno montanhoso
dos montes da Curviã e Lagoa. A agricultura é uma
das actividades dominantes, a par com a indústria ligada
à extracção de pedra e o têxtil. Acusando
um índice de ocupação demográfica
um tanto inferior ao da sua homónima Santa Maria de Airão,
esta freguesia integrará pouco mais cerca de 2000 pessoas.
No chamado
Monte da Curviã, extremidade Ocidental desta freguesia,
situa-se o lugar de Arcela, onde António de Castro Xavier
Monteiro terá recolhido, pelos anos 50 do século
passado, alguns objectos (fragmentos de telhas, vasos, seixos,
carvão, etc) pelo mesmo autor atribuídos a suposta
ocupação castreja. É de realçar a
presença próxima de um topónimo Castelo.
Estas notícias, embora vagas, permitirão inferir
recuado povoamento proto-histórico, sujeito a presumível
romanização, posteriormente.
Quanto às
origens da instituição paroquial, essas mergulham
suas raízes na época pré-nacional, surgindo
a Villa de Airão documentada desde os finais
do Sec XI. Um século depois, surge já como terra
honrada, pertencente a D. Rodrigo Vasques. De facto, as Inquirições
de 1258 aludem a uma Honra Velha, em Sancti
Johanis de Airam, a qual havia sido daquele senhor (Domini
Roderici Valasci).
O ainda subsistente
topónimo Paço (do latim palatium)
há-de reportar-se à entretanto desaparecida moradia
senhorial ligada à honra de Airão. Nas Inquirições
de 1288 e 1308, cita-se, inclusivamente, o Paço D´Ayrã
que foy de Dona Chamoa Gomez. O erudito articulista da Grande
Enciclopédia é de opinião que esta
Honra de Airão, pelas características
expostas em diversos monumentos do Sec. XIII, corresponderiam
na verdade a um Couto, pelo que não admirará assim
surgir posteriormente designada. Em 1252 a já aludida Dona
Chamoa Gomez e seu marido D. Rodrigo Froiaz doarão, por
seu lado, este Couto de Airão ao Mosteiro de Santo Tirso.
Por sentença de D. Dinis, na sequência das Inquirições
de 1308, foi extinto este privilégio senhorial, que andava
então na posse de Rui Martins de Numães
(por devassar ficou, porém, o lugar do Paço).
É provável
que esta Honra de Airão tenha sido concedida por D. Afonso
Henriques a D. Sancho Nunes de Celanova (seu fiel
partidário nas lutas com D. Teresa). Deste passaria a seu
filho Vasco Sanches, casado (em data posterior a 1167) com D.
Urraca Viegas, filha de Egas Moniz, o aio. Deste casal
era filho o D. Rodrigo Vasques, já citado.
A casa do
Paço de São João de Airão testemunhará,
no presente, todo este nobilitado passado baixo medieval. Em 1526
era ali instituído um importante morgadio, por acção
de D. João Pereira, Senhor de Castro de Aires (embora o
padre Carvalho da Costa mencione Fernão de Sousa como seu
promotor, o qual teria estabelecido uma Capela própria
no Mosteiro de São Domingos de Guimarães). O edifício
senhorial solarengo integra uma imponente porta carral armoriada,
datada de 1789. Possui também um curioso nicho de alminhas.
No tocante
ao património edificado de cariz religioso digno de apreciação
nesta freguesia, conta-se a Igreja Paroquial (nova), a Igreja
Velha e as capelas de Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora
das Candeias. À freguesia de São João de
Airão se encontra ligado o conhecido escritor, etnógrafo
e político Teófilo Braga, que aqui possuiu a Quinta
da Pereira.