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A
RAPOSA E O LOBO
A
raposa e o lobo mataram dois carneiros e fugiram. Depois que se
acharam seguros, deitaram-se a comer, mas só puderam comer
um, e o outro ficou inteiro. Diz a raposa:
Compadre, é melhor enterrarmos este carneiro e vimos cá
amanhã comê-lo juntos.
Vai
o lobo e diz-lhe:
Mas nem eu nem tu temos faro, como é que o havemos de tornar
a achar?
Deixa-se-lhe o rabo de fora.
Assim
se fez. No dia seguinte apresenta-se o lobo e diz:
Comadre, vamos comer o carneiro?
Hoje não posso; tenho de ir ser madrinha de um cachorrinho
O
lobo fiou-se, mas a raposa foi ao lugar onde estava enterrado
o carneiro e comeu um grande pedaço. No outro dia toma
o lobo a perguntar-lhe:
Que nome puseste ao teu afilhado?
Comecei-te.
Exclama
o lobo:
Que nome! Vamos comer o carneiro?
Ai, compadre (disse-lhe a raposa), hoje também não
pode ser; estou convidada para ir ser madrinha.
O
lobo fiou-se; a raposa tornou a ir comer sozinha. Ao outro dia
vem o lobo:
Que nome deste ao teu afilhado?
Meei-te.
Que nome! (replica o lobo). Vamos comer o carneiro?
A
raposa tornou a escusar-se com outro baptizado, e foi acabar de
comer o carneiro. O lobo vem:
Como se chama o teu afilhado?
Acabei-te.
Vamos comer o carneiro?
Foram
e chegaram ao sítio; assim que viram o rabo, disse a raposa:
Puxa com força, compadre.
O
lobo puxou, e caiu de pernas para o ar; a raposa safou-se.
(Airão
S. João)
(topo)
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FÁBULA
DA RAPOSA E DO MOCHO
Uma
raposa passou por um souto e sentiu piar um mocho; disse ela para
si:
Ceia já eu tenho.
E
foi muito sorrateira trepando pelo castanheiro em que estava piando
o mocho, e filou-o.
O
mocho conheceu a sorte que o esperava, e viu que não podia
livrar-se da raposa sem ser por ardil. Disse então para
ela:
O raposa, não me comas assim como qualquer frango desses
que furtas pelos galinheiros; tu também sabes andar à
caça de altenaria, e é preciso que todos o saibam.
Agora que me vais comer, grita bem alto:
«Mocho
comi!»
A
raposa levada por aquela vaidade, gritou:
Mocho comi!
A outro sim, que nenja a mim! replicou-lhe o mocho caindo-lhe
de entre os dentes e voando pelo ar fora, livre do perigo.
(Airão
S. João)
(topo)
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A
RAPOSA NO GALINHEIRO
De
uma vez uma raposa apanhou um buraquinho num galinheiro, entrou
para dentro fazendo-se muito esguia, e depois que se viu lá,
comeu galinhas à farta. Quando foi para sair estava com
a barriga muito cheia, e por mais que fez não pôde
passar pelo buraco. Viu-se perdida, porque já vinha amanhecendo.
Por fim teve uma lembrança: Fingiu-se morta.
De
manhã veio o lavrador e viu-a:
Cá está ela. E que estrago que me fez!
Vai
para lhe dar pancadas e matá-la, mas vê-a hirta,
com a língua atravessada nos dentes e os olhos envidraçados:
Poupaste-me o trabalho; morreste arrebentada. Foi bom.
E
pegando-lhe pelas pernas atira-a para o meio da horta para a enterrar.
A raposa assim que se viu fora do galinheiro, pernas para que
te quero! botou a fugir pelos campos fora e fez do rabo bandeira.
O lavrador deu a cardada ao dianho, e jurou que nunca mais se
fiaria em raposas.
(Airão
S. João)
(topo)
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A
RAPOSA E O GALO
Uma
raposa viu um galo pousado em cima de um palheiro, e não
podendo agarrá-lo começou a falar-lhe cá
de baixo:
Ó galo, tu não sabes? Veio agora uma ordem para
todos os animais serem amigos uns dos outros. Nós cá
as raposas já não temos guerra com os cães,
estamos amigos; e tu podes-te descer cá para baixo, que
eu já te não faço mal.
Estava
nisto, quando vem uma matilha de cães, e farejando a raposa,
botam-se atrás dela. A raposa ia sendo agarrada, mas fugiu
o mais que podia. O galo de cima do palheiro gritava-lhe:
Mostra-lhe a ordem! Mostra-lhe a ordem!
A
raposa, ainda de longe: lhe respondia:
Não tenho vagar! Não tenho vagar.
E
fugia por entre uns tremoçais, que já estavam secos,
que faziam uma grande bulha, e ela dizia:
Ai, que rica festa! E logo hoje, que vou com tanta pressa.
(Airão
S. João)
(topo)